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Os recursos humanos para a ciência e a tecnologia


Published 1995
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Publicado em Simon Schwartzman (coord), Ciência e Tecnologia no Brasil (volume 2): Política Industrial, Mercado de Trabalho e Instituições de Apoio. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 1995, pp. 233-255.
A indústria moderna fabrica produtos e usa tecnologias desenvolvidas em laboratórios de pesquisa tecnológica. Esta tecnologia, por sua vez, resulta de avanços da ciência alcançados em algum centro de pesquisa. Na verdade, é extremamente difícil construir pontes entre setor produtivo, geração de tecnologia e os avanços da ciência. Conseguir passar da ciência para a tecnologia e, daí, ser capaz de transferí-la para as linhas de montagem, representa o nivel máximo de amadurecimento industrial de um país. A característica da indústria de ponta é ser caudatária de um sólido aparato de P&D que, por sua vez, se inspira na ciência que avança. Mesmo nos países industrializados esta dupla ponte é um fenômento bastante recente. Até o século passado, havia pouca ciência capaz de se transformar em tecnologia, exceção feita aos desenvolvimentos na física que permitiram o motor a vapor e, mais tarde, algumas aplicaçães industriais baseadas nos progressos incipientes da química. O esforço de desenvolvimento tecnológico era casual e embutido no processo de fabricação, não existindo, portanto, o risco do desencontro entre o desenvolvimento de novas tecnologias e sua utilização prática. Entretanto, a tecnologia - cujo domínio hoje separa os paises avançados dos demais - não pode mais ser improvisada nas fábricas. Eletrônica, física nuclear e química são descendentes diretos da ciência, e não da observação de engenheiros ou inventores criativos, e o transistor e os engenhos nucleares resultam da descoberta de princípios científicos. No momento em que se separa a ciência, a pesquisa tecnológica e o setor produtivo, começam as dificuldades de acertar o passo entre as pessoas e as instituiçães que se dedicam a cada uma destas atividades. A lógica, o ritmo e os estilos de trabalho são muito diferentes, quer se esteja trabalhando na fábrica, no laboratório científico ou em projetos de desenvolvimento tecnológico. Fazer com que eles se sincronizem é uma empreitada difícil mesmo em países que já atingiram um elevado grau de maturidade em cada uma destas áreas. A ciência funciona com regras próprias, que operam em circuito fechado. As indústrias operam para um mercado externo balizado pela concorrência entre empresas e que atendem a consumidores, em geral, exigentes e com acesso aos produtos dos concorrentes. A produção tecnológica se situa entre estes dois extremos; quando ela se identifica totalmente com um deles, é sinal de que algo vai mal.


Publisher Fundação Getúlio Vargas
Year 1995
Language Portuguese
Collection simonschwartzman; additional_collections


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